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28 de jul de 2014

Quem é você, Alasca? (CONTÉM SPOILERS, ESTÃO AVISADOS)


Lendo os livros de John Green eu concluí três coisas:

1) Ele gosta de listar coisas dessa forma nos livros; 

2) Ele gosta de viajar bastante e tenta nos mostrar o quão nossos mundos são pequenos comparados ao grande mundo que tem lá fora e 

3) Ele gosta de nos fazer sofrer que nem malditos atrás de um mistério só para aprendermos a superar e seguir em frente.

Eu o conheci como a maior parte das pessoas devem tê-lo conhecido: um belo dia eu estava em casa e meu telefone toca. No outro lado da linha minha melhor amiga está gritando sobre como a vida era horrível e como ela odiava o João Verde e como ela ia comprar outros livros dele porque ele era um grande babaca (Pois é, muita coisa na vida não faz o menor sentido).

 Para poder saber do que ela estava falando eu fui lá e peguei o livro emprestado. Resultado: eu chorando na aula de filosofia e pedindo pra ir no banheiro. Aquele dia me chamaram na diretoria por achar que eu estava com problemas de família.


Depois de ler  “A Culpa é Das Estrelas” eu pesquisei sobre outros livros dele e um me chamou atenção. O livro “Cidades de Papel”. Comprei porque tinha um mapa na frente e eu adoro viajar. Mas não é sobre ele que estamos falando. (Nesse eu tive um ataque de fúria e minha mãe achou que eu estava de TPM).

Acabei “Quem é você, Alasca?” no começo dessa tarde e posso dizer que já estava esperando por um vazio que só pode ser preenchido por outra estória.

 O livro começa de certa forma monótono, falando sobre a estória de um rapaz (Miles) que vive numa cidade pequena e tem uma vida muito, muito chata, então decide ir atrás do “Grande Talvez” da sua vida e se muda para o colégio “Culver Creek”. Lá ele conhece Chip, que no livro é chamado de Coronel, Takumi e a imprevisível, belíssima e incompreendida Alasca.

 Vou contar um pouco sobre Alasca: em 229 páginas você não consegue entender absolutamente nada sobre ela. A única coisa que concluí é que ela é uma menina que eu gostaria de ter como amiga e, se fosse lésbica, me apaixonaria perdidamente por ela.

Como todas as garotas de John Green, Alasca tem seus pensamentos filosóficos, seus interesses que mais ninguém tem e, citando Machado de Assis, “Olhos de cigana oblíqua e dissimulada”.  No fim, assim como em Dom Casmurro, você fica com uma dúvida terrível sobre a garota. Será que uma menina que reluzia como o sol poderia, do nada, ficar obscura como um buraco negro?

 Bem, isso cada um deve tirar de sua cabeça. A questão é: John Green consegue, novamente, entrar na sua mente de uma forma que você sente o que o personagem está sentido. Embora seja um romance juvenil, retrata realmente o que é ser jovem, ser adolescente e o que a decepção, o amor e a lealdade significa na nossa cabeça, de meros adolescentes incompreendidos. Com sua obra, percebemos que não é qualquer coisa, que cada pequeno gesto tem uma diferença gigantesca para nós e, principalmente: que não somos únicos no mundo.

 Em "Quem é você, Alasca?" o Gordo (vulgo Miles) consegue várias respostas para o seu "Grande Talvez", porém Alasca o faz ficar com uma pergunta bem mais persistente na cabeça. Ela quer descobrir qual a saída do labirinto mencionado por Gabriel García Marquez no livro que ele fala sobre Simón Bolívar. "Como saírei desse labirinto?" são as últimas palavras do herói mostradas na biografia que Marquez escreve sobre ele. O livro inteiro essa pergunta persiste, até que, no fim, Alasca acaba saindo do labirinto, porém sozinha.

A obra não é só triste e filosófico, há várias partes que mostram como a menina era divertida, mostra também as primeiras relações sexuais de Miles, mostra como adolescentes gostam de aproveitar a vida bebendo e fumando e todas essas primeiras experiências que compartilhamos com amigos e esperamos que nossos pais não descubram, sabe? Pois é. Você acaba se identificando bastante com o livro e seus personagens, embora nunca o suficiente. Acredite, se está se sentindo exatamente igual a um personagem do sr. Verde é melhor você procurar um médico.

As pessoas falam que ele é só modinha e tudo, mas eu recomendo os livros de John Green para qualquer um. É uma leitura fácil, mas você adquire certos conhecimentos literários e pode aprender várias coisas vindas de seus personagens.

É um livro que faz você querer aprender últimas palavras, faz você querer ler poesia e ficar filosofando e brincando com as palavras para o resto de sua vida. Também te faz querer sair de casa, viajar para todos os lugares do mundo e amar, porque o amor não é tão ruim quanto todos pensam que é. É só uma coisa que, quando acaba, te obriga a seguir em frente. Como se fosse um teste, sabe? Quem é forte o suficiente para superar, segue em frente, quem não consegue, fica parado na linha do tempo.

Os personagens de John Green são os que nos mostram como é seguir em frente e eu o respeito imensamente por isso.

- Isabela Gomes.

3 comentários:

  1. Oi Thai, tudo bom?
    Adorei a resenha de hoje... Parafrasear Machado de Assis na definição da Alasca foi sensacional, rs!
    Esse o é segundo livro dele que mais gosto... Cidades de papel e Teorema Katherine não me agradaram. Will & Will eu ainda não li, mas espero que seja uma leitura agradável!!

    Tudo lindo por aqui, viu? Beijo grande.

    Thati;
    http://nemteconto.org

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  2. To louca pra ler Quem é você Alasca mas só vou comprar quando for lançada a outra capa, ri demais você foi chamada na diretoria hsuhsus deve ter sido bem engraçado.
    Beijos
    http://nomundodajale.blogspot.com.br/

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